
O Santurantikuy é uma feira tradicional de Natal declarada Patrimônio Cultural da Nação em 22 de setembro de 2009. Ela acontece todos os anos, no dia 24 de dezembro, na Praça Maior de Cusco, onde artesãos e escultores exibem suas obras seguindo a tradição das antigas feiras andinas. Mais do que um espaço comercial, representa parte do espírito cusquenho, da tradição, da arte e da devoção popular.

Table of Contents
Comecemos com um pouco de sua incrível história. “Santurantikuy” é uma mistura de palavras espanholas e quéchuas que se traduz como “venda de santos”; assim como seu nome, o Santurantikuy é um complexo processo de síntese de culturas: a andina e a europeia colonial.
Não há uma data exata para o início dessa celebração. Diz-se que ela teve origem no século XVI, enquanto a resenha mais antiga com uma referência ao Santurantikuy data de 1834, embora ainda não fosse chamada por esse nome. Apesar desse mistério, o que sabemos com certeza é que o Santurantikuy é uma criação espanhola da época colonial, imposta com o objetivo de evangelizar os indígenas peruanos, pois, como o próprio nome indica, desde tempos antigos eram vendidas imagens de santos católicos nas escadarias da Catedral de Cusco.
Entre os santos que eram oferecidos e ainda são oferecidos, o protagonista é o “Niño Manuelito”. Ele nada mais é do que o Menino Jesus. O nome Manuelito nasce de uma variação carinhosa de “Emmanuel”, como também é conhecido o Menino Jesus segundo a tradição católica, que no Peru passou a ser castelhanizado como Manuel.
Os cusquenhos da época adotaram como seu o conceito do Niño Manuelito de tal forma que o vestiram como um rei inca. Essa prática partiu dos jesuítas e provocou indignação na Igreja Católica. Hoje, o Niño Manuelito continua sendo para os cusquenhos uma figura própria e querida, especialmente durante a época natalina; no Santurantikuy é possível encontrar centenas de imagens e esculturas do Niño Manuelito, em diferentes tamanhos e desenhos. O desenho mais conhecido e valorizado por sua delicadeza é o de Antonio Olave Palomino, que há mais de 40 anos criou o primeiro Niño de la Espina, ou Niño Manuelito. O artista cusquenho se baseou em uma tradição oral de Vilcabamba.
O Niño Manuelito é extremamente importante para os cusquenhos e cusquenhas; ele sempre adorna os tradicionais presépios e, todos os anos, é costume comprar uma nova roupa para o menino. O lugar ideal para encontrar o novo traje do Niño Manuelito é, claro, o Santurantikuy, onde há roupas de diferentes tamanhos e desenhos muito variados, alguns tradicionais e outros criativos e inovadores.
Agora que você já conhece um pouco da extensa e complexa história do Santurantikuy e de seu principal protagonista, passamos a contar sobre todas as maravilhosas obras que você verá na feira. Há tanta variedade e tantos produtos únicos que talvez você precise de uma mala maior para levar tudo!
Comecemos pelo tradicional: no Santurantikuy é exibido tudo o que é necessário para montar o presépio de Natal. E não estamos falando apenas de belos presépios com as figuras de São José, da Virgem Maria e do Menino Jesus; em Cusco, montam-se presépios que incluem cidades inteiras e podem ocupar um cômodo completo.


Você poderá ver e comprar figuras de todos os tipos de animais, até os mais inesperados, em diferentes materiais, desenhos e estilos; miniaturas de pontes, casas e poços de água com acabamentos delicados. Pequenas esculturas preciosas que valem a pena admirar, mesmo que você não tenha em mente montar um presépio. Você pode levá-las para decorar sua casa ou talvez surpreender um amigo com uma miniatura de seu animal favorito trazida de Cusco.
Em um presépio digno do concurso organizado todos os anos pela EMUFEC (Empresa Municipal de Festividades de Cusco), tudo tem importância: não apenas os personagens que o adornam, mas também o espaço onde eles se encontram. Para acrescentar esses detalhes, chegam das províncias altas de Cusco as chamadas “erveiras”, que apresentam diferentes ervas trazidas de suas próprias regiões.
São famílias inteiras, quéchua-falantes e muito humildes, que chegam à cidade por alguns dias para oferecer suas ervas a preços extremamente baixos. A maioria não conta com um lugar para passar a noite e fica com seus filhos nos portais da Plaza de Armas, que oferecem muito pouco abrigo contra o frio e a chuva. Existem várias iniciativas para apoiá-las nesses dias que antecedem o Natal, que para elas significam sacrifício e trabalho durante todo o dia. Muitas organizações e instituições oferecem chocolate quente, panetone e presentes para as crianças. Há também o coletivo de voluntários Caravana Cusco, que você poderá reconhecer por suas roupas coloridas de palhaço; esses jovens cusquenhos oferecem seu tempo e carinho às crianças que chegam à cidade e, durante toda a manhã, brincam, cantam e realizam apresentações de mímica, teatro e contação de histórias. Não deixe essas famílias passarem despercebidas; elas oferecem suas ervas na entrada de Santa Catalina em direção à praça.

No Santurantikuy, você poderá comprar roupas únicas, todo tipo de peças muito originais, como camisetas e blusas com desenhos de inspiração andina, amazônica ou simplesmente artística; curiosos chullos tecidos à mão que saem do comum, com orelhas de lhama, de gato, entre outras. E falando de seres mágicos, não deixe passar os fantoches e bonecos de divertidos duendes e fadas, luminárias que parecem tendas de circo em miniatura, pinturas de reconhecidos artistas da escola cusquenha —se tiver sorte, poderá levar alguma obra de Mendivil ou Olave— ou de jovens artistas em início de trajetória.
Se o que você procura é uma decoração delicada e doce, os arranjos com flores secas podem ser ideais, assim como acessórios como tiaras e presilhas decoradas com flores trabalhadas em couro. As velas coloridas também chamarão sua atenção.

Falemos de materiais: o Santurantikuy oferece todos os tipos de trabalhos em couro, desde cintos até mochilas, prataria digna da nobreza inca e trabalhos em madeira tão bem feitos que você vai se surpreender pensando em como levar uma cômoda no avião. E se tiver crianças ou quiser encher sua casa de alegria, pergunte pelos coloridos caminhõezinhos de madeira, que podem servir como brinquedo favorito ou como um adorno admirado. Ou talvez uma estante criativa?
Sabemos que essa é a última coisa que você quer, e nos alegra contar que, desde 2015, a feira se estende do tradicional dia 24 de dezembro para os dias 23 e 24 de dezembro. Dois dias para explorar tudo ou para fazer com que uma viagem curta coincida com a feira.
Agora você já sabe o quanto esta feira é especial, mas tenha em mente que ela reúne toda a cidade e gera bastante movimento. Não deixe que isso o deixe sobrecarregado; para facilitar sua experiência, não deixe de considerar os 6 conselhos que compartilhamos neste artigo.
O Santurantikuy é celebrado todos os anos, no dia 24 de dezembro.
Na véspera de Natal, a Plaza de Armas de Cusco se transforma para receber artesãos, escultores e imaginários cusquenhos, que mostram suas melhores obras nessa peculiar feira natalina que, todos os anos, reúne e encanta centenas de cusquenhos e turistas.






Passageiros felizes